Erros que empreendedores estão cometendo (e nem o Claude resolve)
Estamos evoluindo de copilotos para executores. Mas e os empreendedores — estão evoluindo para estrategistas ou se tornando ainda mais executores?
Os últimos lançamentos da Anthropic (Claude) e do OpenClaw marcam uma nova fase da IA com avanços mais significativos para usos empresariais, pois estamos saindo do território dos copilotos, que ajudam a executar tarefas específicas, e entramos no território dos executores, onde é possível estruturar agentes que assumem partes inteiras do trabalho.
O ecossistema de empreendedorismo só discute isso nas últimas semanas, pois agora parece que finalmente é possível criar arquiteturas inteligentes que automatizam boa parte da operação das empresas - além das perspectivas de criar novos produtos.
A sensação é que nunca foi tão viável fazer mais com menos - e isso está permitindo aos empreendedores sonharem -, mas pode tirar o foco de quem pensa estratégia e decide pela empresa.
Existe uma premissa que não mudou, mas está sendo temporariamente enuviada pela euforia: IA e automação ajudam a executar com mais eficiência algo que já funciona, mas não dão direção. Continua sendo papel do empreendedor definir para onde o negócio está indo.
Será que os empreendedores devem concentrar sua atenção em se tornarem construtores de agentes? Será que líderes de receita vão começar a construir os agentes que vão substituir as pessoas do seu time? São esses questionamentos que vamos buscar responder neste edição da newsletter Ramp Up.
Este não será mais um conteúdo ajudando a construir seus próprios agentes de IA. Vamos sair da camada de euforia onde está todo mundo falando e subir em um galho mais alto para enxergar o todo: quais erros os empreendedores estão cometendo e você pode evitar para não agir por empolgação e tentar automatizar algo que não foi estruturado. Bora lá!
Eficiência é importante, mas eficácia precede
Essa é, provavelmente, a maior revolução tecnológica que a nossa geração já viveu e não faz sentido minimizar isso, nem tratar como hype passageiro.
Basta testar minimamente as ferramentas disponíveis hoje - abrir uma conta no Claude ou criar um projeto no OpenClaw - para ver onde é possível chegar. Empreendedores começam a enxergar oportunidades em tudo: automatizar operações, reduzir custo de pessoas, acelerar crescimento, criar novos produtos.
Eu não sou diferente - também estou nesse grupo. Seria ingênuo ignorar o potencial.
As ferramentas mal foram lançadas e a internet está cheia de exemplos, tutoriais, casos de uso. E, naturalmente, isso puxa o comportamento do mercado. Mas quem já passou por outros ciclos sabe que existe um padrão que se repete.
Sempre que surge uma tecnologia que aumenta drasticamente a capacidade de execução, o mercado tenta usá-la para resolver problemas que não são de execução. Porque mexer na execução é mais tangível e imediato - dá a sensação de progresso.
Só que existe uma diferença que costuma passar despercebida nesses momentos de euforia: a IA melhora a execução de algo que já está funcionando (eficiência), mas não corrige a direção (eficácia) de algo que não está. Não adianta aumentar a produtividade de algo que não está na direção correta.
Problemas crônicos que são mascarados por tecnologia
Quando você olha para a base da maioria das empresas B2B, especialmente fora do topo da curva, os problemas não são novos - eles já existiam antes da IA e continuam existindo agora. As novas tecnologias geram a falsa sensação de que eles irão desaparecer.
O primeiro deles é a falta de posicionamento.
A empresa não fez uma escolha consciente de onde jogar. Não definiu com clareza sua categoria, não estruturou uma proposta de valor consistente e, na prática, opera como uma extensão do fundador. O que é vendido não é um produto com lógica própria, e sim a competência técnica dos empreendedores. Cada cliente é atendido de um jeito, cada proposta é construída de uma forma, cada entrega carrega um grau alto de customização.
Isso, no início, pode até parecer uma vantagem competitiva - dá flexibilidade, aumenta a taxa de fechamento, permite adaptar discurso. Mas estruturalmente isso significa ausência de sistema. E sem sistema, não existe o que escalar - muito menos o que automatizar.
O segundo problema é a baixa maturidade de marketing e vendas.
A empresa não tem canais validados, não construiu um fluxo previsível de geração de demanda e não opera com um processo comercial replicável. O crescimento acontece por meio de relacionamento, indicação e esforço individual. Existe venda, mas não existe um sistema de vendas.
E quando esse é o cenário, a introdução de IA tende a seguir um caminho previsível: aumentar volume. Mais conteúdo, mais campanhas, mais abordagens, mais tentativas. Só que volume não resolve falta de clareza. Se você não sabe qual canal funciona, produzir mais não resolve - só acelera o consumo de tempo e recurso em algo que ainda não foi validado.
O terceiro ponto é a dependência estrutural dos fundadores.
A empresa não está organizada em áreas e níveis hierárquicos. Não existe um sistema de gestão que distribui responsabilidade. Existe o empreendedor, que concentra decisões críticas, resolve os problemas mais relevantes e está totalmente envolvido no operacional.
Isso cria um paradoxo: quem deveria estar pensando o negócio está sempre apagando incêndios. E sem tempo para pensar, não existe direção.
Sempre que surge uma nova tecnologia capaz de transformar força humana em automação, caímos na mesma ingenuidade: “agora dá pra estruturar o negócio pra rodar sozinho e depender menos de gente”.
Mas o que acontece quando a empresa não tem direção?
Se o posicionamento não é claro e cada cliente exige um caminho diferente, faz sentido tentar automatizar jornadas? Ou você está tentando forçar padronização em algo que ainda não foi padronizado nem na cabeça do empreendedor?
Quando não existe clareza sobre quais canais de marketing desenvolver, qual é o papel de um agente nesse contexto? Produzir mais conteúdo resolve um problema que é, na essência, de estratégia?
E se o empreendedor decide estruturar agentes para assumir partes da operação, surge uma pergunta inevitável - e pouco discutida: quem vai sustentar esses agentes ao longo do tempo?
Imagina um cenário simples:
Você, empreendedor, passa um final de semana estruturando agentes para cuidar de diferentes funções - financeiro, atendimento, produção de conteúdo. A implementação inicial funciona, algumas tarefas deixam de ser manuais, existe um ganho real de eficiência.
Mas e depois - quem monitora, ajusta, corrige e evolui esses agentes? Você?
Neste caso, isso é uma solução de fato, ou é mais uma camada de complexidade que depende de você para funcionar?
Uma coisa é uma empresa de 2-3 pessoas que vende, por exemplo, infoprodutos, automatizar parte das suas atividades core. Outra coisa é uma empresa B2B mais estruturada, que possui camadas de valor agregado nos seus serviços e uma operação mais complexa.
Da mesma forma, uma pequena operação que vende agentes e fatura R$20–30 mil por mês é completamente diferente de uma operação de software que fatura milhões.
Cuidado com o ciclo vicioso que se repete
Esse comportamento não é novo - é cíclico:
Quando a nuvem ganhou escala, houve uma onda de empreendedores que construiriam softwares que se venderiam sozinhos
Depois, com inbound e outbound, a promessa virou plugar ferramentas e agências para construir uma máquina de vendas autônoma.
Agora, com IA, a narrativa evolui para o piloto automático completo.
Veja: eu não nego o poder de cada um desses ciclos tecnológicos. Na verdade, eu sou operador em cada um deles e minha empresa é altamente inserida nesses contextos.
A minha crítica está na visão míope de achar que uma nova tecnologia que aumenta a capacidade de execução vai servir para delegar aquilo que deveria ser resolvido na direção do negócio.
O empreendedor ingênuo vai se manter no ciclo vicioso: vai construir um exército de agentes que vai automatizar uma parte da força de trabalho, mas que não resolve os problemas reais do negócio, e ainda depende dele pra funcionar. Isso vai mantê-lo preso em assuntos operacionais - agora sobrecarregado mantendo esses sistemas - e não olhando para a direção do negócio.
Existe uma pergunta que pouca gente está fazendo, mas que deveria estar no centro da discussão:
Se todo mundo pode construir agentes usando as mesmas ferramentas, automatizar processos semelhantes e operar com níveis parecidos de eficiência, onde está o diferencial?
O diferencial não vai estar em “saber construir um exército de agentes”, e sim ter a visão de direção para o negócio, para então fazer as escolhas certas de quais agentes construir.
E essa competência não é delegável e nem automatizável.
Apesar do alerta, acredito que muitos empreendedores ainda vão se jogar de cabeça no tema para daqui uns meses dizer “eu testei tal ferramenta e não funciona”. Eu falo para aqueles empreendedores que não se esquivam do compromisso de conduzir seus próprios negócios.
E que fique claro: devemos usar as novas tecnologias em prol dos nossos negócios. Mas nós reinamos sobre elas - e não o contrário. O papel da tecnologia é servir a estratégia, não substituí-la.
↗️ Precisa de ajuda para melhorar sua direção?
Eu quero ajudar empreendedores que estão comprometidos com seu crescimento no novo ciclo - e não vou fazer isso te ajudando a criar agentes que automatizam processos. A internet está forrada de bons conteúdos sobre isso.
Minha proposta é te acompanhar por 12 meses para te ajudar a:
Fazer as escolhas certas de direção do negócio: em quais nichos estão suas oportunidades e como se posicionar neles
Fazer as provocações que você não está se fazendo para chegar às conclusões de onde vale a pena focar, quais são os canais de marketing apropriados e qual estrutura de vendas construir
Sobretudo, te ajudar a se questionar que tipo de gestor você quer ser
Eu criei o Programa Ramp Up para ajudar empreendedores como você a chegar nessas respostas e reorganizar suas empresas para crescer neste novo ciclo.
O programa é composto por frameworks de crescimento que eu tenho aplicado no meu próprio negócio, por mentorias diretamente comigo, além de trocas com outros empreendedores que estão na mesma jornada.
Se você empreende no B2B e quer se adaptar para capturar as oportunidades do próximo ciclo, faça sua aplicação através deste link.
🚀 Alguns Up’s pra você fixar
IA evoluiu de copilotos para executores, ampliando eficiência e abrindo espaço para automação de funções inteiras
Eficiência melhora execução, mas não corrige direção; aumentar produtividade sem clareza estratégica amplifica erros
Falta de posicionamento, canais não validados e dependência do founder impedem escala e inviabilizam automação
Novas tecnologias geram a ilusão de substituir decisões estratégicas, repetindo ciclos onde execução tenta compensar direção
Diferencial competitivo não está em usar IA, mas em definir direção e fazer escolhas certas antes de automatizar
▶️ Canal Ramp Up - conteúdo em vídeo
Caso prefira consumir esse conteúdo em vídeo, com exemplos adicionais e explicações complementares - vou publicar um vídeo no meu canal hoje às 19h:
⚡ Conteúdos rápidos da semana
🤘 Outros conteúdos pra você rampar
O que acontece quando os canais que sustentaram o crescimento da sua startup deixam de funcionar como antes?
Neste episódio mais recente do Start Ups N’ Downs, falamos sobre um dos temas mais urgentes para quem empreende em B2B: a necessidade de modernizar o go-to-market em um cenário em que os velhos playbooks já não entregam os mesmos resultados. A jornada de compra mudou, os canais se multiplicaram e o mercado exige uma nova lógica de crescimento.
Ao longo da conversa, exploramos desafios que já estão no dia a dia de muitas empresas: a queda de eficiência do Google, o uso crescente de IA e a saturação dos canais digitais. Para ouvi-lo, acesse no YouTube ou no Spotify.
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Ricardo Corrêa





